Vivemos a ilusão Ulisses

A verdade que vem de muitos dias, sempre nos mostrou o paradoxo entre viver Deus e viver o Mundo. Para entendermos isso, nos valemos do exemplo do grande homem que foi “Félix Guisard”, para a cidade de Taubaté, cuja profundidade de suas palavras atravessam os temos quando lembramos: “faça do teu trabalho o teu divertimento”.

Foi um homem muito além do seu tempo porque nos dias de hoje, testemunhamos a sua importância para Taubaté, diante das ruínas de seus prédios que um dia representavam o futuro, isto é, a sua dignidade era tão ímpar, que houve sucessão apenas patrimonial, ou seja, ele morreu e todo aquele atributo pessoal, morreu com ele.

Isso nos faz lembrar a canção da fada madrinha na animação infantil Sherek 2, em que ela, em uma canção, canta hipocritamente para o mundo: onde estão os homens bons, digam-me por favor? Onde estão os homens de coragem e valor? (DreamWorks Animations).

Assim, está na nossa realidade as duas dimensões, a proposta de Deus aos homens de boa vontade, pela Verdade, em que nossas mãos se elevam para o céu, ou, a da hipocrisia do mundo, que nos mergulha nas profundezas da escuridão.

– Leitura do livro do Êxodo: Naqueles dias, 8os amalecitas vieram atacar Israel em Rafidim. 9Moisés disse a Josué: “Escolhe alguns homens e vai combater contra os amalecitas. Amanhã estarei, de pé, no alto da colina, com a vara de Deus na mão”. 10Josué fez o que Moisés lhe tinha mandado e combateu os amalecitas. Moisés, Aarão e Ur subiram ao topo da colina. 11E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec. 12Ora, as mãos de Moisés tornaram-se pesadas. Pegando então uma pedra, colocaram-na debaixo dele para que se sentasse, e Aarão e Ur, um de cada lado, sustentavam as mãos de Moisés. Assim, suas mãos não se fatigaram até ao pôr-do-sol, 13e Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada (Êxodo, 17,8-13 — 29º Domingo do Tempo Comum – terça-feira – 19 out. 2025).

Muitos se identificam e se auto ploclamam como homens de boa vontade, no entanto, estão despidos da coragem, então, confundem as pessoas, pois se apresentam como ovelhas, vestindo uma armadura que parece a dourada dignidade, mas, sob as suas vestes, se revelam como lobos, fazendo a verdade parecer mentira, ou, querendo tornar a mentira uma verdade.

Os homens são atraídos para a ilusão, nos fazendo lembrar Ulisses na Odisseia, que pedia aos seus homens para amarrá-lo ao barco, para assim, pode se embriagar com as ilusões, com a diferença que na vida real, temos somente a nós mesmos, e nem sempre conseguimos encontrar o caminho de volta, ou como falamos nas Igreja, não encontramos mais a nossa conversão, porque preferimos ouvir a nós mesmos e já não compactuamos mais com a verdade.

efetuaram-se em suas especulações,
e seu coração insensato se obscureceu:
22alardeando sabedoria,
tornaram-se ignorantes
23e trocaram a glória do Deus incorruptível
por uma figura ou imagem de seres corruptíveis:
homens, pássaros, quadrúpedes, répteis.
24Por isso, Deus os entregou
com as paixões de seus corações a tal impureza,
que eles mesmos desonram seus próprios corpos.
25Trocaram a verdade de Deus pela mentira,
adorando e servindo a criatura em lugar do Criador,
que é bendito para sempre. — Amém
(Romanos, 1,21-25 – 28ª Semana do Tempo Comum – terça-feira – 14 out. 2025).

Sim, esta ilusão é embriagante, e nos mergulha em viagens psicodélicas, com uma dose de narcótico em nossas veias, quebrando todas as nossas pernas, para que não consigamos mais nos sustentar nos princípios dos homens de boa vontade, pois, o que reina no lugar da coração, da lealdade, da amizade, da fidelidade, é somente o olhar para dentro de sim mesmo.

Conclusão:

Vivemos duas dimensões, uma é a da realidade, a outra é a da ilusão, está ultima que hoje mais se confunde com a virtualidade, porque permanecemos a maior parte do nosso tempo no virtual, no introspectivo. Nesta mesma ilusão nos é mostrado o repúdio à dor e ao trabalho, como cantado na Mitologia Grega, pelo poeta Hesíodo, ao passo que, na dimensão da verdade, a dor e o trabalho ressuscita na palavra viva de homens de boa vontade como Félix Guisard, a dor e o trabalho é a nosso divertimento.

A ilusão, como o alucinógeno que nos empurra para a escuridão, torna muito difícil voltarmos a nos tornarmos homens, isto é, a recuperarmos a humanidade que nos distingue das demais espécies, mas, certo é, que há vida tanto na ilusão como na realidade, porque, por mais que fujamos da verdade, não há como nos esconder dela, mesmo mergulhado na escuridão.

A grande parte difícil disso é que, ambas estarão submetida a apenas a uma justiça, a da verdade, por isso, que os homens corram para preservá-la e fugam das armadilhas que a cercam, porque imersos na escuridão, continuaremos a cantar a hipocrisia como a fada “onde estão os homens bons, digam-me por favor?”

– Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2”Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!’” 6E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lucas 18,1-8 – 29º Domingo Tempo Comum – terça-feira – 14 out. 2025).

É muito difícil sair da dimensão do mundo, poucos conseguem retornar, porque a sua ilusão nos parece doce demais, mas, se olharmos ao nosso redor, percebemos que esta doce ilusão é uma armadilha que nos leva para as profundezas da escuridão em que nós somos entregues como vassalos aos senhores, que nos ditam tudo o que temos de fazer, o que temos de comprar e o que temos de viver, e nós como bois e vacas, seguimos a frente de alguém nos tocando para o curral ouvindo iá….iá….iá.., ou será, ia…, ia… ia…?

E diferente da fábula da fada, ao cantarmos a hipocrisia real para o mundo, criamos a certeza que já não temos mais sonhos e nem futuro, como cantou Sex Pistols em God save The Queen, Mas, olhe para dentro de si, e descobrirá quem é a horripilante “the Queen” que está ao lado do teu coração.

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