Vencendo a dor da morte

A maior dor que o homem podem sentir na vida, é a dor da perda pela morte. Assistindo ontem, 28 de outubro, os jornais destacando a operação de guerra no Rio de Janeiro, o que me comoveu foi, a dor dos colegas policiais chorando por seus parceiros mortos, assim como a dor dos familiares das pessoas mortas, vítimas de um verdadeiro banho de sangue, em zona urbana, para a insana razão de querer resolver as coisas na bala.

A dor da morte é como uma lâmina que atravessa diagonalmente o nosso peito, arrebentando toda a nossa força, porque ela é como o sangue que produzimos, isto é, nós não temos controle sobre sua produção, ela simplesmente surge e não temos como ignorá-la, rejeitá-la, negá-la, e nos deixa sem chão a perguntar qual o sentido de se continuar a viver?

Essa experiência de sofrermos sem poder controlar, nos ensina a reconhecer a morte como bendita, como nos ensina Jesus, que se revestindo da condição humana, nessa hora, sendo Deus, não deixou de experimentar conosco a dor pela morte do amigo, e chorou

:32Então Maria foi para o lugar onde estava Jesus. Vendo-o, ajoelhou-se a seus pés e disse: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.” 33Jesus viu que Maria e os judeus que iam com ela estavam chorando. Então ele se conteve e ficou comovido. 34E disse: “Onde vocês colocaram Lázaro?” Disseram: “Senhor, vem e vê.” 35Jesus começou a chorar. 36Então os judeus disseram: “Vejam como ele o amava!” 37Alguns deles, porém, comentaram: “Um que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que esse homem morresse?” (João 11, 32-37).

Isso nos ensina que há a dor do nascer, e a dor do morrer, como parte da natureza da criação, conservando-se a vida seja antes de nascer, seja nascido, ou após a morte.

1Jó tomou a palavra e disse:
23 “Gostaria que minhas palavras fossem escritas
e gravadas numa inscrição
24 com ponteiro de ferro e com chumbo,
cravadas na rocha para sempre!
25 Eu sei que o meu redentor está vivo
e que, por último, se levantará sobre o pó;
26 e depois que tiverem destruído esta minha pele,
na minha carne, verei a Deus.
27a Eu mesmo o verei,
meus olhos o contemplarão,
e não os olhos de outros”
(Jó 19,1.23-27 – Comemoração de todos os fiéis defuntos – 02 nov. 2025).

Mas, enquanto estamos na carne, acreditamos que o corpo é nosso, por isso, a vida é nossa, ou seja, nós é que controlamos a nossa existência, e que podemos prolongar a vida até quando quisermos, seremos sempre jovens, até que a lâmina invisível atravessa nossa alma, para nos mostrar que se não podemos controlar a dor da morte, é uma ilusão pensarmos que conseguiremos controlar a vida da morte enquanto estivermos revestido da carne.

Cristo nos ensinou que humanamente não é possível controlar a dor da morte, no entanto assim como Jó, ele nos confirma que a morte não é prevalência da matéria, mas da alma, por isso a morte já não existe mais, nisto está toda a nossa certeza:

Irmãos:
20 Cristo ressuscitou dos mortos
como primícias dos que morreram.
21 Com efeito, por um homem veio a morte
e é também por um homem
que vem a ressurreição dos mortos.
22 Como em Adão todos morrem,
assim também em Cristo todos reviverão.
23 Porém, cada qual segundo uma ordem determinada:
Em primeiro lugar, Cristo, como primícias;
depois, os que pertencem a Cristo,
por ocasião da sua vinda.
24a A seguir, será o fim,
quando ele entregar a realeza a Deus-Pai.
25 Pois é preciso que ele reine até que
todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés.
26 O último inimigo a ser destruído é a morte.
27 Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”.
Mas, quando ele disser: “Tudo está submetido”,
é claro que estará excluído dessa submissão
aquele que submeteu tudo a Cristo.
28 E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele,
então o próprio Filho se submeterá
àquele que lhe submeteu todas as coisas,
para que Deus seja tudo em todos
(Jó 19,1.23-27 – Comemoração de todos os fiéis defuntos – 02 nov. 2025).

Ao olharmos as barbáries urbanas do nosso cotidiano, como a ocorrida no Rio de Janeiro, o que vemos é uma natureza morta, como nas palavras de uma humilde cidadã, ao responder a pergunta como ela poderia viver ali, daquele jeito, ao dizer: “não espero mais nada”, ou seja, já não carrego mais em mim qualquer esperança.

Isso não é um sentimento isolado, uma vez que esta realidade morta, é global, porque todos se afastaram do caminho proposto pela Palavra, fugiram da verdade, para seguir as conveniências do seu próprio caminho, e agora, se vêem entregues à própria sorte, como filho pródigo, despido da mais ínfima dignidade.

Mas era sobre isso que o Senhor nos falava quando visitou a terra, para cuidarmos nesses momentos da insanidade do homem que rejeita o seu Criador, fugindo da vida, e, o que alimenta no seu dia a dia é somente morte, e as pessoas acabam por perderem as esperanças como se nada mais tivesse jeito:

34Tomem cuidado para que os corações de vocês não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vocês. 35Pois esse dia cairá, como armadilha, sobre todos aqueles que habitam a face de toda a terra. 36Fiquem atentos e rezem todo o tempo, a fim de terem força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficarem de pé diante do Filho do Homem. (Lucas, 21-34-36).

Para quem acolhe a vida em seu coração pela Verdade, não perde a esperança como se fosse o fim de todos nós, porque a Palavra nos promete um curso muito acima disso tudo, e diante da realidade nos pré-revelada pela Verdade, de que tudo o que estamos vivendo aconteceria desse jeito, o Senhor nos diz, agora, não desista, continue a navegar:

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas.
36Sede como homens que estão esperando
seu senhor voltar de uma festa de casamento,
para lhe abrir, imediatamente, a porta,
logo que ele chegar e bater.
37Felizes os empregados
que o senhor encontrar acordados quando chegar.
Em verdade eu vos digo:
Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa
e, passando, os servirá.
38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada,
felizes serão, se assim os encontrar!
39Mas ficai certos: se o dono da casa
soubesse a hora em que o ladrão iria chegar,
não deixaria que arrombasse a sua casa.
40Vós também, ficai preparados!
Porque o Filho do Homem vai chegar
na hora em que menos o esperardes”
(Lucas 12,35-40 – – Comemoração de todos os fiéis defuntos – 02 nov. 2025).

Conclusão:

A vida nos convida a conservamos nossa fé na Verdade, poism o Senhor, pela honra do seu nome é fiel, e nos promete que somos capazes de transcender a matéria, como Palavra de Honra:

Responsório: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

Para as águas repousantes me encaminha, *
3e restaura as minhas forças.
Ele me guia no caminho mais seguro, *
pela honra do seu nome.

Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, *
nenhum mal eu temerei.
Estais comigo com bastão e com cajado, *
eles me dão a segurança!
(Salmo 22 [23]

O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma, antes de aqui nascermos, durante aqui permanecermos e depois que daqui seguimos navegando, e por isso nos diz agora, continue….continue a navegar, como na canção de Rod Stewart em Sailing:

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