Nesta semana acompanhamos o ciclo dos migrantes das mais diversas origens, a exemplo das temporadas dos passáros que fogem do inverno do norte e buscam o calor do sul, seguindo um curso do Sul para Norte, do Norte para o Sul, do Oeste para o Leste, todos convergem para o eixo em que se reverencia a dignidade da Mulher.
Da Mulher que se revestiu de todas as cores, de branco para os brancos, de índia para os índios, de amarela para os amarelos, de preta para os escravos, para dizer aos mais simples, que como Mãe, o seu amor é incondicional e sem acepção de pessoas, e por Deus que está no Céu, ama cada um de nós, pessoalmente como filhos únicos.

A dignidade da Mulher aqui, é revestida com um manto azul, que cobre de bens todo o povo que a acolheu, e se consagrou a Ela, porque para este povo esta escrito “feliz o povo cujo Deus é o Senhor” (Salmo 32 [33]):
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
No Senhor nós esperamos confiantes,
porque ele é nosso auxílio e proteção!
Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,
da mesma forma que em vós nós esperamos! – R.
Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem
e que confiam, esperando em seu amor,
para da morte libertar as suas vidas
e alimentá-los quando é tempo de penúria. – R (Salmo 32 [33]).
A sua dignidade é tão grande, e sua humildade e tão bela, que Ela, como lemos no Livro sobre a Rainha Esther, se deixa reconhecer por seu povo:
Então, o rei lhe disse:
“O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça?
Ainda que me pedisses a metade do meu reino,
ela te seria concedida”.
3Ester respondeu-lhe:
“Se ganhei as tuas boas graças, ó rei,
e se for de teu agrado,
concede-me a vida – eis o meu pedido! –
e a vida do meu povo – eis o meu desejo!” (Ester, 7,2-3 – Festa de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil – 12 out. 2025).
Ela, como figura comum no meio do seu povo, cheia das amarguras da Mara de Noemi, redesenhada na Maria das Dores do Jesus na Cruz, mas com uma fidelidade e disponibilidade ímpar, que como o Rei, Deus acolheu a Mulher, elevando a sua dignidade ao mais altos dos Céus, como a Regina da Cidade Celeste, que tem no seu centro o próprio Palácio de Deus.
19Abriu-se o templo de Deus que está no céu
e apareceu no templo a arca da aliança.
12,1Então apareceu no céu um grande sinal:
uma mulher vestida de sol,
tendo a lua debaixo dos pés
e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas. (Apocalipse 11,19.12,1)
Já não é mais uma simples mulher, mas, a Rainha transformada na Dignidade Feminina do Espírito de Deus, que trazendo consigo o povo que Deus escolheu por sua herança, governam com Deus, o Céu e a Terra.
Não é mais carne, nem matéria, mas o perfume da Mulher pode ser sentido por todas as galáxias, constelações e astros, na sua delicadeza, generosidade, disponibilidade, paciência, amor incondicional, chegando até aos mais minúsculos e insignificantes vermes, como o homem, que entre alguns deles, são capazes de reconhecer a beleza feminina.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!” 11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele (João 2,10-11 – Festa de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil – 12 out. 2025).
Conclusão
Da Sabedoria Divina, só podemos contemplar, pois, a tudo que em nós se produz, com o perfume de Mãe, tudo se transforma em Graça: “Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!”.
Como a Maria das Dores, como a mulher humilhada, nós hoje estamos aqui na penúrias das humilhações, perseguições, oferecemos a bondade, e recebemos o desprezo, oferecemos um prato de gentileza, e o recebemos de volta em nossa face, mas, sabemos que devemos continuar na mesma Graça, diante da Mulher que é elevada ao Céu, com a certeza de que nossa dignidade também será resgatada, nos vestindo com a melhor roupa, e pondo em nosso dedo um anel:
15Em vestes vistosas ao Rei se dirige, *
e as virgens amigas lhe formam cortejo;
16entre cantos de Festa e com grande alegria, *
ingressam, então, no palácio real” (Salmo 44 [45] – Festa de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil – 12 out. 2025).
O Senhor na Graça do amor de mãe, nos faz permanecer no amor, e reconhecer a grandeza do Espírito Santo, que se revela como gentileza e disponibilidade feminina para nós, e, também, para os brutos.
Mas, como Aretha Franklin (Natural Woman), seguimos cantando que o Senhor nos faz sentir alguém, porque seu amor é fiel para sempre. Assim, seja mulher ou homem, com a dignidade mais alta que alguém pode ter, pois olhando para o Céu, vemos aquela de quem um dia saímos do seu útero, coroada com 12 estrelas, tendo sob os seus pés a lua, e ainda, tendo aberta a adoração perpétua da Régia Divina. Aparecida do Brasil, converge os homens para a Arca que se abriu no Templo. Rogai por nós!
